Dinheiro na privada, prêmio de R$ 20 mil e outras polêmicas: como era o reality de Viih Tube e Eliezer
Reality de Viih Tube com prêmio de R$ 20 mil levanta debate sobre direitos trabalhistas "Esse é, literalmente, o reality da nossa casa". Foi assim que Viih T...
Reality de Viih Tube com prêmio de R$ 20 mil levanta debate sobre direitos trabalhistas "Esse é, literalmente, o reality da nossa casa". Foi assim que Viih Tube apresentou ao público o reality show As Patroas, lançado em 30 de junho e estrelado pelos funcionários que trabalham na casa dela e do marido, Eliezer. A proposta era transformar a rotina da casa em uma competição. Ao todo, 11 empregados domésticos disputavam um prêmio de R$ 20 mil em provas, desafios e missões que rendiam pontos e recompensas em dinheiro. Mas o programa durou pouco. Menos de 24 horas após a estreia, o primeiro episódio foi retirado do YouTube em meio a críticas nas redes sociais. O caso chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu uma investigação para apurar possíveis violações de direitos trabalhistas. Nesta quarta-feira (29), Viih Tube e Eliezer assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o órgão. Pelo acordo, comprometeram-se a encerrar o reality, retirar conteúdos considerados irregulares e pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo. Reality de Viih Tube e Eliezer terá prêmio de mais de R$ 20 mil Reprodução/YouTube O reality reunia profissionais que trabalhavam diretamente na casa do casal, entre eles babás, motorista e outros empregados domésticos. Segundo as regras apresentadas por Viih Tube e Eliezer, a competição não teria eliminações tradicionais. Ao longo dos episódios, os participantes acumulavam pontos em provas e desafios, e o vencedor seria quem encerrasse a disputa com a maior pontuação. Além do prêmio principal de R$ 20 mil, os participantes também podiam conquistar quantias em dinheiro e benefícios ao longo da temporada. Viih Tube afirmou que foi a responsável pela criação do formato. "Por incrível que pareça, fui eu [que tive a ideia]. O Eli é quem grava mais as meninas [funcionárias] no mercado, zoando elas. Eu adoro essa coisa de websérie, episódios, criar provas, cenários. A ideia foi minha e o Eli amou, palpitou comigo", disse. Segundo a influenciadora, a proposta surgiu da convivência diária com os funcionários e do interesse em transformar situações da rotina da casa em conteúdo para as redes sociais. Antes do início das atividades, os influenciadores explicaram uma das regras da competição: todos os funcionários deveriam participar dos dias de gravação. Quem não comparecesse seria eliminado automaticamente da disputa pelo prêmio. O trecho chamou atenção durante a repercussão do caso e passou a ser citado por críticos do programa nas redes sociais. Em representação encaminhada ao MPT, a deputada federal Erika Hilton afirmou que havia contradição entre a alegação de participação voluntária e a regra que previa a eliminação de quem não participasse das gravações. Abaixo, relembre como o programa funcionava. Primeira prova A principal prova da estreia consistia em encontrar moedas escondidas em diferentes ambientes da residência. Nas imagens, Viih Tube e Eliezer aparecem escondendo as moedas em diversos locais da casa. Algumas foram colocadas na sala e em outras áreas comuns. Outras, porém, acabaram escondidas em lugares que surpreenderam os próprios participantes. Entre esses locais estavam um lago artificial, lixeiras de banheiro e até vasos sanitários. Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando Anderson, motorista do casal, entrou em um banheiro à procura das moedas. Ao perceber que algumas moedas haviam sido colocadas dentro do vaso sanitário, ele reagiu: "Misericórdia, né? Dentro do vaso? Pelo amor de Deus, não é possível." Na sequência, ele também encontrou moedas na lixeira ao lado do vaso sanitário. Enquanto procurava as moedas, comentou: "Eu peguei de dentro do lixo. Cheio de papel, cheio de bosta." O trecho viralizou nas redes sociais e se tornou um dos principais símbolos das críticas ao programa. Antes da busca pelas moedas, os participantes enfrentaram outro desafio. Uma funcionária foi escolhida por sorteio para cumprir uma missão secreta sem que os colegas percebessem. A tarefa consistia em inserir a palavra "esdrúxulo" em uma conversa ao longo do dia. Caso ninguém percebesse o desafio, ela receberia R$ 2 mil. Se fosse descoberta, a quantia seria dividida entre os demais participantes. O programa também contava com quadros como "Desafio CLT", "Patroa da Semana" e "Lavando Roupa Suja", que misturavam brincadeiras, provas de convivência e disputas por recompensas. Prêmios incluíam dinheiro e benefícios no trabalho As recompensas oferecidas pelo reality iam além do prêmio final. A vencedora da primeira prova foi Vilma, uma das babás dos filhos do casal. Além da pontuação e dos R$ 1 mil acumulados, ela ganhou o direito de escolher uma recompensa adicional. Entre as opções estavam: uma sessão de massagem; um jantar em restaurante; começar a jornada de trabalho uma hora mais tarde durante a semana. Em outras palavras, o programa combinava prêmios em dinheiro, benefícios pessoais e vantagens ligadas à rotina de trabalho dos participantes. Fora do ar A repercussão negativa começou poucas horas após a publicação do primeiro episódio. Internautas questionaram principalmente a exposição pública dos funcionários e a competição entre pessoas subordinadas aos próprios empregadores. O primeiro episódio foi retirado do YouTube menos de um dia após o lançamento. Mesmo assim, trechos continuaram circulando nas redes sociais, alimentando o debate que mais tarde resultou na investigação do Ministério Público do Trabalho. Agora, com a assinatura do TAC, o reality será definitivamente encerrado.